Ciência – O todo de uma parte

Ah a ciência…posso dizer que até certo ponto da minha vida (não há muito tempo atrás) foi a minha religião. Para ser verdade tinha de ser cientificamente provado. Se não estivesse, haveria de estar um dia. Era uma questão de tempo. Tudo se movia com uma lógica, as influências extra-pessoais (fora do meu eu) faziam todo o sentido nas consequências que tinham. Isto até ao dia em que descobri que existem experiências intra-pessoais também, às quais a ciência, por sua natureza, não tende a alcançar.

Para percebermos que estamos a falar de coisas diferentes podemos dar um exemplo de como a ciência não pode ser aplicada ao todo. Exemplo de tal facto, é o tentar aplicar a ciência ao processo criativo. Em sentido lato, o método cientifico é o processo pelo qual, para realizar uma determinada experiência, se parte de um estado (A) para chegar a outro estado (B). Ora o processo criativo é o processo de criar algo, que implica que, se está a ser criado, ainda não existe. Com isto, temos que B não existe no processo criativo, motivo pelo qual o método cientifico não pode ser aplicado.

Outro problema (talvez interligado com o anterior) é que, se o ambiente em que o experimento está a ser realizado interferir com os resultados, este tem de ser definido pelo método científico. Para dar um exemplo simples, é tentar dissolver açúcar em água quente e em água fria. A dissolução em água quente é deveras mais rápida que em água fria. O ambiente mudou e o resultado também, pelo que, para o experimento seguir pela norma, teríamos de explicitar a temperatura da água.

Então e se o ambiente for o nosso corpo? Quantas variáveis semelhantes à temperatura podem influenciar o resultado, por exemplo, do processo criativo?

Outro detalhe sobre o método cientifico é que tem de ser mensurável por um ou mais dos nossos cinco sentidos. Na experiência da dissolução do açúcar na água, podemos “ver” que não existem mais grãos de açúcar no fundo do copo. Qualquer um dos cinco sentidos pode ser usado para fazer observações durante um experimento, e daí tirar conclusões.

Então, quem não ouviu já falar de pessoas que possuem um sexto sentido? Um novo sentido abriria todo um mundo para a ciência, criando instrumentos para medição exacta dos resultados, etc.

Ora vamos tentar separar uma série de conceitos para explicar o anterior, tentando pelo caminho retirar alguns preconceitos quanto a certas palavras.

Esotérico

Apesar do termo ser também usado como conhecimento de acesso restrito, é origem grega (esôterikos) e quer dizer algo como “composto interno”, pelo que, conhecimento esotérico será “conhecimento do composto interno”, ou o estudo do universo que existe dentro de cada um. Penso que podemos reduzir para auto-conhecimento, o termo lato usado.

A degeneração do termo é de simples explicação. Devido a esta disciplina (auto-conhecimento) ser complexa e que necessita de grande dedicação, esta beneficia grandemente se houver um professor (ou mestre) dedicado ao ensino de discípulos (que, como qualquer professor consegue entender, quanto menos alunos, mais eficiente é o ensino, onde os mestres teriam normalmente um ou dois discípulos). Isto faz com que esta escola (conhecimento) seja, por falta de recursos, restrita (não querendo dizer que seja secreto ou hermético, como certas seitas demonstram ser).

Misticismo

O misticismo é o caminho seguido pelos iniciados para chegar à iluminação, ao divino, à consciencialização de uma outra realidade. Este caminho é feito, não através da devoção e da fé, mas através da experiência, intuição, sensibilidade e instinto do próprio iniciado.

Exemplos de tradições místicas temos a kabbalah, o sufismo, o cristianismo esotérico ou místico. O misticismo tenta ir além da religião (usando esta como capa para as massas), tentando entender o conhecimento que está por detrás dos ensinamentos, recorrendo à meditação, à respiração, aos cânticos, contemplação, entre outros métodos. Estas doutrinas coincidem no auto-conhecimento através dos ensinamentos do mestre seguido (como Buda ou Cristo) para a explicação do todo (como todas as doutrinas existentes).

Podemos dizer que o misticismo será o lado esotérico da religião.

Exotérico

Penso que não necessita de introdução, pois é o tipo de conhecimento que estamos acostumados no nosso dia-a-dia. É aquilo que vemos e presenciamos desde a religião mais ferranha até à ciência mais ferranha. É, no fundo, o contrário de esotérico, é a nossa experiência com o universo. Se o esotérico é o universo dentro de nós, o exotérico somos nós no universo. Dentro desta perspectiva, as doutrinas que mais se destacam são a ciência e a religião.

Religião

O termo é usado como “prestar culto a uma divindade”, mas quer na verdade dizer “voltar a ligar”. Isto demonstra a intenção da pessoa se ligar com a divindade. A religião implica fé (crença incondicional) e normalmente temor da divindade em causa (como a expressão “Temo a Deus”). A prática religiosa faz o uso de rituais, rezas, cânticos, regras morais e sociais, entre outras práticas. É também considerada como uma capa para o estudo esotérico para que as massas não se apropriem nem façam mau uso do verdadeiro conhecimento (mais poderoso e influente).

Ciência

A ciência (“conhecimento”, do latim scientia) é o conhecimento sistemático, pelo qual partindo de uma pré-condição se consegue chegar ou prever um resultado. É caracterizada por seguir escrupulosamente o método científico, bem como o conhecimento científico já existente. A ciência constituí um esforço interminável para descobrir a verdade, aumentando, assim, o conhecimento humano.

Dito isto, podemos ver que existem dois caminhos a seguir para adquirir dois tipos de conhecimento distintos. O conhecimento esotérico permite-nos conhecer o nosso interior (espiritual) e o exotérico permite-nos estudar o universo exterior (físico). Cada tipo de conhecimento não interfere com o outro, sendo aliás, complementares e ajudando-se mutuamente no seu desenvolvimento. Ambos os caminhos existem e estão para ficar, pelo que não é razoável ignorar qualquer um dos dois.

Links:

http://www.kheper.net/

http://www.wikipedia.org/

 

  1. Esquila
    Dezembro 17, 2009 às 18:10

    Concordo contigo! Mas sabes, ainda há muito para desvendar neste universo, quer seja dentro de cada um de nós, quer seja fora, e aquilo que desconhecemos e ainda não podemos explicar, para nós é um mistério, é místico, é divino. O que eu penso, é que se aliarmos os dois tipos de conhecimento, poderemos ir encontrando explicações/respostas para as nossas dúvidas.

  2. rbzone
    Dezembro 17, 2009 às 22:47

    por acaso ate nao concordo com a separaçao de ciencia e esoterismo. tentam explicar ambas a mesma coisa, mas partem de bases diferentes. o esoterismo explica as coisas de cima para baixo, a ciencia explica de baixo para cima. o proximo salto quantico civilizacional é qdo a humanidade perceber q nao sao antagonicas, bem pelo contrário, complementam-se.

    • vishuda
      Dezembro 17, 2009 às 23:13

      sim foi isso que disse. complementam-se e ajudam uma na evolução da outra. mas muito dificilmente poderás aplicar o método cientifico ao esoterismo, pelo que deverá haver um outro método identico que encaixe nos padrões apropriados.

      • rbzone
        Dezembro 17, 2009 às 23:53

        o método cientifico é sem duvida limitativo, isso é a grande critica q faço a ciencia, por nao conseguir olhar para lá desse muro q construiu a sua volta. o método cientifico só te leva ate certo ponto…

        experimenta virar-te para um academico, um fisico por exemplo, e pergunta-lhe pq é q as particulas do átomo giram quase a velocidade da luz sem nunca abrandar…vais ver o tipo a mudar de côr.

  3. vishuda
    Dezembro 18, 2009 às 0:03

    heheehee….pois. o método cientifico foi efectivamente criado para ser usado no mundo fisico. tudo o que além disso…..já não dá. não tirando o mérito à ciencia, claro, pois para avaliação do mundo fisico, não conhecemos melhor método.

  4. Esquila
    Dezembro 18, 2009 às 17:15

    rbzone
    O método científico não é a “ciência em si”, é só “um método”, um linha de orientação a seguir no processo de investigação, isto para os investigadores, às duas por três, não meterem os pés pelas mãos. E é assim: a ciência não tem a resposta para tudo, nem lá para o pé, mas com o método científico procura dar resposta aos problemas existentes, através da experimentação.O método científico fornece as linhas orientadoras para a resolução dos problemas. Portanto, temos o problema, para o qual queremos saber a resposta e a partir daí formulamos uma hipótese. Para verificar a hipótese é necessário a realização de experimentação. Durante esta, realizam-se observações (através dos órgãos dos sentidos), como é referido neste artigo, e depois com os dados disponíveis, são tiradas as conclusões. Se o problema ficou resolvido, tudo bem, se não, formula-se nova hipótese e parte-se para nova experimentação, e etc..
    O método científico é limitativo, porque os conhecimentos científicos também o são. Não tem nada a ver com um muro limitativo.
    Sobre a velocidade das partículas do átomo,o físico poderá “mudar de cor”, se não for humilde, pois, lá por ser cientista não tem de ter a resposta para tudo, e ele não sabe a resposta, pois ainda temos muito para desvendar sobre a ciência. Só tem é de assumir que “ainda” não sabe.

    • rbzone
      Dezembro 18, 2009 às 20:31

      esquila,

      foi precisamente isso q eu disse, por outras palavras. o método cientifico torna-se um empecilho qdo estamos a tentar provar coisas paras as quais a propria ciencia nao possui instrumentos para provar sequer q existe, mas q fazem sentido em teoria. aquilo q a ciencia faz muitas fezes qdo nao consegue comprovar algo pelo metodo cientifico é precisamente abandonar, ou ignorar, essas conjecturas teóricas, como tal, o metodo cientifico acaba por construir um muro a sua volta, pois tudo o q a ciencia aceita tem de ser comprovada por esse método. entao o q fazemos com tudo aquilo q nao é comprovável por esse método? a ciencia, opta por ignorar, ou meter de lado…

      • vishuda
        Dezembro 20, 2009 às 2:57

        a minha proposta seria um novo método…mas não estou instruido o suficiente para descrever tal coisa. mas quis também “desmistificar” os conceitos descritos.

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