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FP-25 / 30 anos Mágoas, feridas abertas e pouco arrependimento

20-04-2010
LUSA

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1548265

Trinta anos depois da aparatosa operação de lançamento de petardos, que assinalou a criação das Forças Populares 25 de Abril, as personagens da história guardam memórias, mágoas, feridas e pouco arrependimento.

A 20 de Abril de 1980, milhares de petardos rebentavam por todo o país, apresentando aos portugueses o “Manifesto ao Povo Trabalhador”, em que as Forças Populares 25 de Abril  (FP-25) se anunciavam prontas para “o derrube do regime, a instauração da ditadura do proletariado, a criação do Exército Popular e a implantação do socialismo”.

As mãos das armas dizem hoje que “eram parte de um grupo antifascista e revolucionário”, que iam “travar o avanço iminente de um golpe da direita fascista e honrar a Revolução de Abril”.

As famílias das vítimas e os que os condenaram continuam a chamar-lhes terroristas e a considerar inadmissível o desfecho do processo.

Para o sociólogo político Manuel Villaverde Cabral, o surgimento deste grupo é “um fenómeno absolutamente micro”, que pode, em última análise, relacionar-se com a chegada da direita ao poder, na forma da Aliança Democrática, vista da esquerda radical”.

Mas, acrescenta, “não é mais do que um fenómeno histórico expetável, uma agonia”: “É todo o hiper radicalismo que a revolução portuguesa atingiu”, considerou.

Luís Gobern Lopes, um dos fundadores das FP 25 e o primeiro a assumir-se em julgamento como membro da organização, afirmou, em entrevista à Lusa, que “no contexto em que surgiram, as FP-25 tinham um propósito forte”, acrescentando que, embora não se sinta arrependido, reconhece que houve momentos em que a organização perdeu o pé.

“Situando-me na altura em que as coisas ocorreram, considerando a forma como eu pensava, como eu sentia, como eu via as coisas, não posso dizer que me arrependa de nada. Não tenho de que me arrepender. Todas as coisas foram feitas com uma atitude consciente. Talvez o trajecto que depois levaram é que se desvirtuou”, disse.

“O Anarquinho”, como era conhecido, foi acusado de mais de 100 crimes e condenado a 20 anos de cadeia. Entre fugas, indultos e amnistias, acabou por estar preso apenas cinco anos.

Entre 1980 e 1987, as FP 25 foram responsáveis por 17 assassinatos, 66 atentados à bomba e 99 assaltos a bancos.

Em 1996, os operacionais presos beneficiaram de uma amnistia aprovada pela Assembleia da República e promulgada por Mário Soares, então Presidente da República.

Os tumultos que se sentiram no mega processo que julgou as ações de mais de 60 homens e mulheres acusados de pertencerem às FP-25 sentem-se ainda hoje nas vozes dos que estiveram envolvidos no processo, de ambos os lados da barricada.

Martinho de Almeida Cruz foi a mão que mandou prender muitos dos homens que o poder político depois libertou, voz forte contra a amnistia: “A amnistia tem como consequência o apagamento puro e simples dos crimes cometidos. É como se as pessoas que cometeram esses crimes não tivessem cometido absolutamente nada”, defende.

“Numa criminalidade absolutamente grave como esta, não aceitei nem nunca aceitarei tal ideia. Defenderia, quanto muito, um perdão de parte das penas. Porque perdoar é uma coisa, esquecer é outra”, acrescentou.

Gaspar Castelo-Branco, director dos Serviços Prisionais, foi morto a tiro pelas FP 25 à porta de sua casa, a 15 de Fevereiro de 1986.

Para o filho, Manuel Castelo-Branco, este foi o primeiro grande sinal de terror da organização e um argumento que prova o falhanço de Abril na Justiça: “O esquecimento das vítimas, no caso do meu pai, começou no dia em que ele foi morto”, disse, em entrevista à Lusa.

“O país foi muito mais do que benevolente. As FP-25 Nunca se arrependeram, nunca vieram dizer que o que fizeram estava errado, nunca, em algum momento, vieram pedir desculpa, ou retratar-se dos crimes que cometeram”, argumentou.

Manuel Castelo-Branco considera que o resultado do processo que envolveu este grupo armado e “o desrespeito pelas famílias das vítimas” foram argumentos fortes para mostrar que “a Justiça foi talvez o maior falhanço deste país no pós 25 de Abril”.

Categorias:Geral
  1. Helio Colonias Salgueiro
    Maio 30, 2013 às 23:23

    Sou contra a pena de morte… mas o Director Geral do Serviços Prisionais Castelo Branco é uma excepção à regra… Foi bem avisado, depois da fuga da Penitenciária de Lisboa, em que condenou à morte lenta, por castigo injusto e ilegal, todos os detidos, como eu, não quiseram fugir… Parafraseando uma advogada no Tribunal de Monsanto: ” A LEI FOI REPOSTA A TIRO ” … Até o Ministro da Justiça de então, disse ter existido motivos para esse atentado… Lamento, mas Castelo Branco, ditou a sua própria sentença !!!!

  2. Helio Colonias Salgueiro
    Maio 30, 2013 às 23:25

    Helio Colonias Salgueiro :
    Sou contra a pena de morte… mas o Director Geral do Serviços Prisionais Castelo Branco é uma excepção à regra… Foi bem avisado, depois da fuga da Penitenciária de Lisboa, em que condenou à morte lenta, por castigo injusto e ilegal, todos os detidos, como eu, não quiseram fugir… Parafraseando uma advogada no Tribunal de Monsanto: ” A LEI FOI REPOSTA A TIRO ” … Até o Ministro da Justiça de então, disse ter existido motivos para esse atentado… Lamento, mas Castelo Branco, ditou a sua própria sentença !!!!

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