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O Jardim do Budha Éden

Os céus e a luz na região de Leiria convidam a sonhar com os olhos abertos, com a alma atenta aos murmúrios que os ventos trazem. No Bombarral, famoso pelas suas vinhas, que recebem esta luz poderosa e a convertem alquimicamente em vinho, o comendador José Berardo desenhou e criou um espaço que convida, como poucos, à paz e ao sossego, à meditação e à concórdia de todas as crenças religiosas. Este lugar, que tão amavelmente recebe os visitantes de todo o mundo, é o jardim Budha Éden, 35 hectares especificamente habilitados para serem «um lugar de reconciliação». O referido jardim surge como uma resposta de paz frente a toda a atitude intransigente, como um lótus que abre as suas pétalas por cima das correntes lodosas do fanatismo. José Berardo, que idealizou este parque de deleites para a alma, responde assim, com este espaço, ao choque que, para ele – e para todos – foi a destruição dos Budhas de Bamiyan, acto brutal do governo de talibãs no Afeganistão e que atentou selvaticamente contra um conjunto de monumentos únicos do Património da Humanidade.

Segundo certas tradições esotéricas compiladas por H. P. Blavatsky, estes Budhas eram monumentos antiquíssimos dedicados à evolução do reino humano… e talvez não seja casualidade que ao serem destruídos, sem esse amparo que representam, o país se visse desolado pela destruição e pela guerra. José Berardo presta homenagem a estes Budhas colossais do vale de Bamiyan com estes recantos encantados de religiosidade natural e de paz, em que confluem elementos budistas, chineses, xintoístas, hinduístas e mesmo gregos: Ambicionamos, assim – aparece na página web deste Jardim –, percorrer o caminho contrário à destruição do ser humano e disseminar a cultura da paz. Esta é uma instituição cultural sem fins lucrativos e ao serviço da comunidade nacional e internacional, que tem por missão sensibilizar o visitante e que este se abra ao conhecimento interior, graças ao seu jardim em diálogo com um vasto património escultórico, direccionado para a meditação e para a promoção da interacção social e cultural, de acordo com os princípios da solidariedade e da dignidade humana.

E como o conseguem! Todos lhes agradecemos por isso, pois logo que entramos somos recebidos por estátuas de tamanho natural de Vénus, a deusa do Amor e uma fonte em que reina Apolo, o deus da Harmonia, cortejado pelas Musas, o som dos orbes celestes, segundo os filósofos alexandrinos.

As portas de uma Cidade Sagrada convidam a entrar no recinto, e o pórtico de um santuário xintoísta, com as suas colunas vermelhas, recorda-nos que a porta para a verdadeira vida interior se abre perante ti, na natureza que vês e percebes com a alma.

Os leões de fogo vigiam, como na Cidade Proibida de Beijing e os dragões surgem das águas, preparados para deixar para atrás, ao voarem, o seu poderoso rastro. As águias de asas abertas sugerem-nos os Ideais romanos de Justiça e Concórdia, já que esta ave, sígnifer de Zeus, era o emblema do poder justo e bondoso, aquele que sustenta o mundo com a razão celeste.

O Budha é representado numa infinidade de formas: numa estátua colossal recostada indica a sua entrada no Mahaparanirvana, junto aos seus discípulos no bosque de Kusinara. Na forma compassiva de Avalokitesvara de mil braços e onze caras, ou a de Kannon do budismo japonês, descendo para as trevas do mundo para salvar as almas nele perdidas. A mesma Kannon aparece acompanhado pelos seus servidores, uns deuses guerreiros de aparência terrível, os Nijuhachibushu, os Reis Benevolentes, os 28 protectores da Humanidade, emanações do Bodhisattva Vajrapani (o portador do Ceptro do Raio ou do Diamante), o Deus da Coragem, aquele que guarda os portais da Iniciação.

Também encontramos estátuas hindús do Deus da Sabedoria, Ganesha, com cabeça de elefante, monges ou Budas acompanhados de cervos, imagem tão valiosa para o budismo, já que o primeiro Sermão de Buda, o de Benarés, foi proferido no Parque dos Cervos e estes ajoelharam-se diante de tão sublimes ensinamentos do Bendito. Deste modo, dois cervos ajoelhados diante da Roda da Lei, movida pelas palavras do Tathagata, é um dos símbolos mais importantes desta religião e filosofia da compaixão e do auto-conhecimento.

As águas calmas do lago espelham o céu e evocam os lagos sagrados dos templos antigos. Junto a ele tantas representações de Deuses que com os seus gestos e figuras convidam a aprofundar nos mistérios da natureza e da alma humana.

Embora, quiçá, uma das imagens mais sugestivas deste Jardim seja o exército de terracota do Imperador Shi Huang Ti, os rostos serenos de tantos guerreiros que venceram a morte e o esquecimento velando o sonho do seu Rei, e acompanhando-o no seu caminho rumo a Céu.

Convidam ao silêncio, o mesmo que neles habita e recordam-nos, também, a força das almas unidas por um Ideal, por um desígnio celeste que vá mais além da simples sobrevivência do corpo e da satisfação dos nossos gostos e da fuga do que nos desgosta.

Jose Carlos Fernández
Director Nacional da Nova Acrópole

Fonte: http://www.nova-acropole.pt/a_buda_eden.html

Categorias:Geral
  1. Ainda sem comentários.
  1. Junho 17, 2010 às 18:43

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