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As causas do Sofrimento Humano

As Quatro Nobres Verdades

Não se pode negar que a vida (existência) esteja indissoluvelmente ligada ao sofrimento do corpo e da mente. Este sofrimento, como toda insatisfação, é causado pelo facto de os indivíduos estarem submissos aos seus desejos, à sua avidez de possuir e, sobretudo, ao seu egocentrismo.

O egocentrismo, a avidez e a cobiça, no entanto, podem ser compreendidos, sobrepujados e destruídos. Esta libertação pode ser alcançada seguindo um caminho racional de comportamento no plano do pensamento, da palavra e da acção.

A essência do Budismo está sintetizada nas Quatro Nobres Verdades — Cattari Aryasaccani — que se acham vinculadas ao ser ou indivíduo, e foram anunciadas por Gautama Buda no seu primeiro sermão diante dos cinco ascetas, seus antigos companheiros em Isipatana.

Essas Quatro Nobres Verdades desvendadas por Gautama Buda, através do seu próprio conhecimento intuitivo, não mudam e não podem mudar com o passar do tempo. Elas jamais foram ouvidas antes, e pela primeira vez o Mestre as revelou ao mundo iludido.

Estudando estas Quatro Nobres Verdades, segundo os textos originais, conheceremos os ensinamentos básicos e essenciais do budismo.

Agindo como um médico, Gautama Buda faz o diagnóstico da doença, descobre a sua etiologia ou origem e estabelece a terapêutica para a remoção da causa da doença. O facto de o doente seguir, ou não, a terapêutica, já não depende do médico. Assim, Gautama Buda descobre a libertação e aponta o Caminho à Humanidade.

AS QUATRO NOBRES VERDADES

1- A Verdade da Existência do Sofrimento – Todos os seres estão sujeitos ao sofrimento.
2- A Verdade da Causa (ou da Origem) do Sofrimento – A causa do sofrimento é o desejo e o apego (sede).
3- A Verdade da Extinção do Sofrimento – A ignorância, causa do sofrimento, pode e deve ser superada ou transcendida.
4- A Verdade do Caminho que conduz à Extinção do Sofrimento – Indica os meios pelos quais pode-se obter a Extinção do Sofrimento, através o Nobre Caminho Óctuplo.

O Nobre Caminho Óctuplo (hasshōdō)

O Nobre Caminho Óctuplo é, nos ensinamentos do Buda, um conjunto de oito práticas que correspondem à quarta Verdade Nobre do Budismo. Também é conhecido como o “caminho do meio” porque é baseado na moderação e na harmonia, sem cair em extremos.

São essas práticas:

Compreensão correcta: Conhecer as Quatro Nobres Verdades de maneira a entender as coisas como elas realmente são, e com isso gerar uma motivação de querer se liberar de dukkha e ajudar os outros seres a fazerem o mesmo.

Pensamento correcto: Desenvolver as nobres qualidades da bondade amorosa, não tendo má vontade em relação aos outros, não querendo causar o mal (nem em pensamento), não ser avarento, e em suma, não ser egoísta.

Fala correcta: Abster-se de mentir, falar em vão, usar palavras ásperas ou caluniosas, e ao invés disso, falar a verdade, ter uma fala construtiva, harmoniosa, conciliadora.

Acção correcta: Abster-se de matar, roubar, ter conduta sexual indevida, e ao invés disso, promover a vida, praticar a generosidade e não causar o sofrimento através de práticas sexuais.

Meio de vida correcto: Evitar qualquer ocupação que prejudique os outros,  invés disso, olhar os outros com amor, compaixão, alegria e equanimidade, que são as quatro qualidades incomensuráveis, e na prática do dia-a-dia, praticar os seis paramitas da generosidade, ética, paz, esforço, concentração e sabedoria.

Atenção correcta: Praticar autodisciplina para obter a quietude e atenção da mente, de maneira a evitar estados de mente maléficos e desenvolver estados de mente sãos.

Sabedoria correcta: Desenvolver completa consciência de todas as acções do corpo, fala e mente para evitar actos insanos, através da contemplação da natureza verdadeira de todas as coisas.

Visão correcta:
Com todos os outros passos realmente realizados internamente, ter uma visão correcta em relação ao mundo e à vida, e agindo de acordo com essa visão.

(dukkha diz respeito ao nosso condicionamento de vida dentro de experiências cíclicas, onde nos alternamos entre boas experiências (felicidade) e más experiências (sofrimento). Todos os seres buscam a felicidade e procuram se afastar do sofrimento, no entanto nessa busca de felicidade e dentro da própria felicidade encontrada estão as sementes de sofrimentos futuros.

Podemos pensar da seguinte maneira: sofremos porque não temos algo; sofremos porque conseguimos algo e temos medo de perder; sofremos porque temos algo que parecia bom, mas agora não é tão bom assim; e sofremos porque temos algo do qual queremos nos livrar e não conseguimos.

Podemos ver então que mesmo que tenhamos sucesso na nossa experiência de felicidade, ela mesmo pode se tornar causa de uma experiência de sofrimento. Além disso, as experiências são impermanentes, as idéias, os conceitos, os pensamentos, todos são impermanentes, mudam.

Por isso dentro da experiência de felicidade existe a causa de uma experiência de sofrimento, pois ela também é impermanente e irá mudar. Então, dukkha representa todo esse ciclo, e a insatisfação que nunca será saciada enquanto seguirmos esse ciclo.)

Os primeiros lampejos de sabedoria surjem quando a pessoa reconhece a validade da Primeira Nobre Verdade e a inevitabilidade da lei do kamma (sânscrito karma), a lei universal de causa e efeito. A partir do momento que a pessoa se dá conta de que más acções inevitavelmente trazem maus resultados e que boas acções trazem bons resultados, o desejo, de viver uma vida moralmente correcta e íntegra, de adoptar seriamente a prática de sila, cresce. A confiança criada a partir desse entendimento preliminar leva o praticante a ter ainda mais fé nos ensinamentos.

O praticante torna-se um “Budista” a partir do momento em que expressa uma determinação interior de “tomar o refúgio” na Jóia Tríplice. 

O Buda baseou os seus ensinamentos em uma franca avaliação da nossa situação como seres humanos: existe insatisfação e sofrimento no mundo. Ninguém pode contestar esse facto. Se os ensinamentos do Buda parassem por aí, os seus ensinamentos poderiam de facto ser considerados pessimistas e a vida totalmente sem esperança. Porém, como um médico que prescreve o remédio para uma enfermidade, o Buda oferece a esperança (a Terceira Nobre Verdade) e a cura (a Quarta). Os ensinamentos do Buda portanto permitem ter um alto grau de optimismo num mundo complexo, confuso e difícil.Um professor contemporâneo resumiu bem:

“Budismo é a busca da felicidade levada a sério”.

O Buda alegava que a Iluminação que ele redescobriu está acessível a qualquer um que esteja disposto a fazer o esforço e comprometer-se a seguir o Nobre Caminho Óctuplo até ao fim.

Cabe a cada um de nós colocar essa afirmação à prova.

Mais informações: http://www.buddhachannel.tv/portail/spip.php?article10027

  1. Agosto 15, 2010 às 14:55

    I bet you wish george bush was still president now

  2. Novembro 27, 2011 às 0:22

    Sofrimento e desejo são duas coisas ligadas a existência humana.É impossível viver sem sofrimento, assim com é impossível viver sem ter desejos, aliás os desejos surgem da necessidade de cada um, logo tentar abolir os desejos é desconsiderar as nossas necessidades e sonhos.É claro que temos desejos maus, que devem ser evitados, no entanto, desejar uma vida profissional bem sucedida ou mesmo desejar uma vida sexual licita, com quem amamos , nunca é sinônimo de sofrimento.
    O budismo, com todo respeito,nada mais é que uma fuga e alienação da vida.A vida é um dom supremo.
    Em Cristo Jesus, Áleckson Marcos.

  3. Robson Rossit
    Abril 19, 2014 às 19:32

    “O desconhecimento dos inúmeros transtornos comportamentais humanos, são a maior causa dos aborrecimentos entre as pessoas e a maior causa do alívio desses aborrecimentos é outro ser humano”. O livro DAF: A Essência Perdida de I. di Renzo, em e-book na Amazon, aponta que a ingestão de bebidas alcoólicas antes da concepção é a provável causa dos comportamentos desviantes e difíceis de compreender em certas pessoas, que desde Buda já eram uma preocupação e que até hoje perduram. De nada adianta tentar ensinar humanidade à quem nasce fisiologicamente sem ela.

  4. Athos
    Outubro 8, 2014 às 13:43

    Áleckson Marcos, tornar um ser onisciente e onipotente responsável pelos acontecimentos da minha vida também não seria uma alienação! Me pergunto se você já tentou Robson Rossit?

  1. Fevereiro 16, 2011 às 11:05

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