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A Crise “Neo-Espiritualista”

13-08-2008
Por Vitor Manuel Adrião, em Lusophia.

http://lusophia.portugalis.com/forum/forum_posts.asp?TID=127&PN=1

Nos últimos tempos tenho sido assediado com ditas revelações «new age» provindas do meio dito «neo-espiritualista», umas mais fantásticas que as outras e todas destituídas de qualquer solidez tanto psicomental como psicossocial, ainda que neste aspecto parte do colectivo social seja bastante afectado pelas mesmas, mormente boa parcela de jovens e menos jovens lançando-se nos abismos do fantástico e da fantasia, assumidos auto-suficientes, esclarecidos e iluminados que, por via do seu maior ou menor carisma, acabam induzindo a outros tantos as mesmas patologias d´alma. Todos, é facto, sem a menor formação verdadeiramente espiritual, teosófica ou esclarecida, a par de uma religiosidade que de facto a seja, mas, em contraposição, assumindo a maior e febril, notoriamente alucinada, postura da óbvia “alucinação mística”.

Isso mesmo pude confirmar há poucos dias atrás (8.8.8, data que serviu para mais um invento místico que resultou… em nada!) em Santa Eufêmia da Serra de Sintra, onde fui interpelado por um número crescente de cidadãos que andavam à procura da “entrada para Agharta”, sem mais nem menos, permeio a estados d´alma notoriamente alterados. Tratei-os com o respeito que se deve a uma criança…

E de facto são crianças comportamentalmente, «abduzidas» ou não, certamente abusadas por certas e distintas individualidades nacionais e internacionais que vêm aqui fazendo o seu negócio à margem da lei do País e que já deviam ter sido interpeladas pelas respectivas autoridades, pois que facturam milhares e milhares de euros isentos de impostos, enganando os Ministérios das Finanças e da Justiça da maneira mais clamorosa e descarada possível.

Se Jesus afirma nas Escrituras “DAI DE GRAÇA O QUE DE GRAÇA RECEBESTES”, essa gente «distinta» faz precisamente o contrário: inventa o que lhe apraz na presa do lucro fácil e da satisfação pessoal, e por via de uma coreografia colorida destinada a dar mais intensidade psicológica ao discurso, confunde o auditório ou o leitorado a ponto deste não aperceber sequer que está sendo roubado económica e espiritualmente e que, tal o estado neuro-passivo em que fica, ainda por cima agradece… e pede mais.

Este assunto melindroso arrastou-se por algumas sessões internas da COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA, e sempre fui dizendo que os “negócios da casa alheia são alheios aos nossos”, mas que, mesmo assim, mais dia, menos dia, acabaria por tornar público este assunto e levá-lo ao conhecimento das autoridades legítimas da Nação, participando à comunicação social e envolvendo o Parlamento e a Presidência da República. Sim, porque Portugal – assim como o Brasil, nossa exclusiva Pátria-Gémea – não merece tamanho flagelo sempre redundando em desgraças atrás de desgraças psicossociais feitas de negócios ilícitos escudados no princípio constitucional da “liberdade de exercício religioso”. Pois sim, mas exercício religioso é uma coisa e negócios financeiros chorudos, isentos de fiscalização, encapotados na alegação desse exercício legal, é coisa bem diversa.

É bom que se saiba que as organizações espiritualistas classificam-se em três classes distintas, pouco tendo a ver umas com outras no modo de estar e de agir, como sejam:

ORDENS (Ex.: Teosofia, Rosacruz, Maçonaria, etc.)
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Qualidade: MENTAL-ESPIRITUAL
Versus INICIAÇÃO PELO ESPÍRITO > Esclarecimento pelo Estudo e aplicação do mesmo.

RELIGIÕES (Ex.: Judaísmo, Catolicismo, Islamismo, etc.)
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Quantidade: PSICOMENTAL
Versus SALVAÇÃO PELA ALMA > Consolação pela catequese e elevação pela prece.

SEITAS (Ex.: “Manás”, “Universais”, “Animistas”, etc.)
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Disparidade: PSICOFÍSICA
Versus CONFUSÃO PELO CORPO > Redundando em doenças alucinatórias psicossomáticas.

Neste tempo de acentuada crise “neo-espiritualista” mas da qual desde há muito é conhecida publicamente a opinião da COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA acerca da mesma e dos seus causadores, acabei dando com uma antiga reportagem no matutino Correio da Manhã (17.2.93), assinada pelo jornalista Victor Mendanha, a qual expressa opinião idêntica à da C.T.P. sobre este fenómeno psicossocial. De maneira que será nessa reportagem que me basearei para descrever quanto se segue, num momento em que nenhum Santo ou Grande Iluminado, seja Jesus, a Virgem Maria ou outro Maior do Género Humano, escapa ao limbo poluído e poluidor das “mensagens e canalizações mediúnicas” que, não raro, nem isso são: tão-só exercícios fantasistas de dar forma a imagens oníricas do subconsciente, isto quando não se inventa simplesmente para enganar e roubar o próximo.

Esta questão já era abordada por René Guénon na “crise da moderna civilização ocidental”, mas não é só o Ocidente mas também o Oriente, todo o mundo que está atravessando uma das suas grandes crises de identidade, equivalente a uma Iniciação Planetária de passagem de um estado de 4.º Grau para o 5.º, equivalente à transição da 4.ª Ronda Terrestre para a 5.ª de Vénus do mesmo Globo. De modo idêntico também o ser humano atravessa as suas crises de crescimento, seja físico, psíquico ou mental. Tudo o que se pode observar na criatura humana pode se encontrar no Globo e no Universo, de uma forma ou de outra, visto o “Tudo e o Todo estarem interligados”.

Se bem que René Guénon fosse um homem admirável e notável tradicionalista e cabalista, os seus passos desacertaram com os do movimento cíclico da Evolução Planetária, pois voltou-se do Ocidente para o Oriente ao contrário da Grande Fraternidade Branca que já se encontrava, justamente na sua época, a promover a promover a transferência dos valores humanos e espirituais do Oriente para o Ocidente com o grande Movimento Teosófico.

Como se sabe, esse Movimento liderado por Helena Petrovna Blavatsky, tinha como objectivo chegar a um certo ponto do Sudoeste dos Estados Unidos da América do Norte, a El Moro, próximo à cidade de Cimarron no Estado do Novo México, naquela época representativo de toda a Evolução no Hemisfério Norte.

Se a Missão Teosófica de Blavatsky não alcançou o êxito desejado nos E.U.A., isso deve-se a múltiplas razões, dentre elas a falta de apoio ou compreensão dos sectores espiritualistas europeus e, sobretudo, dos norte-americanos ao trabalho de sementeira espiritual dessa Grande Mestra que, perseguição após perseguição, uma mais injusta e cruel que a outra, foi obrigada a regressar ao Oriente e a interromper, adiar a sua Missão.

Além disso, as experiências atómicas realizadas pelo Governo norte-americano, nos inícios da década de 50 do século XX, no vasto deserto daquela Região Privilegiada do Novo México, prejudicaram seriamente e invadiram, devido à radiação libertada, o espaço de interior, subterrâneo da Fraternidade Jina dos Rosacruzes de El Moro, a qual seria suposto dar o grande impulso para o surgimento da 6.ª Sub-Raça desta 5.ª Raça-Mãe Ariana, usando a terminologia teosófica.

A partir desse momento dramático, a América do Norte ficou como que “viúva dos Deuses” indo activar-se, antes do seu tempo próprio, o Grande Posto Representativo da América do Sul, no Brasil, no Roncador em Mato Grosso, passando essa Missão de fundação da 6.ª Sub-Raça e da 7.ª simultaneamente, logo a ver com o futuro imediato do Mundo, para aí, de modo a servir de apoio à fusão dos valores iniciáticos e civilizacionais entre o Oriente e o Ocidente.

Desde então a Missão Espiritual do Brasil revestiu-se de extrema importância nos meios espiritualistas contemporâneos, graças ao pioneirismo do trabalho de sapa da Sociedade Teosófica Brasileira liderada pelo Professor Henrique José de Souza, brasileiro de ascendência lusitana. Mas também Portugal, já desde muito antes, o que não significa que aqui, no solo pátrio, importemos ou copiemos os exclusivos valores brasileiros do dia-a-dia, para atingir a compreensão de tão importantes conhecimentos, pois cada um pode continuar a ser o que é dentro do seu espaço pessoal e civilizacional, porque semelhantes valores estão acima de quaisquer características nacionais, pessoais, etc.

Aliás, pode-se dizer mesmo que, em termos esotéricos, Portugal e o Brasil são uma e mesma coisa, mas agindo e comportando-se com se fossem as duas conchas de uma mesma balança, as duas faces de uma mesma moeda… sim, moeda ou moneda expressando a Mónada Imortal cujo Poiso Único é Shamballah, o Fiel da Balança da Lei, e por isso são esses Países que passam por esta Obra Divina, graças à marcha processional dos Ciclos de Evolução Universal, e não a Obra Divina, intemporal não-geográfica, que passa por eles…

Note-se: os portugueses, provenientes de um espaço geográfico minúsculo, desde cedo encetaram diáspora, espalharam-se por todo o Mundo, miscigenaram-se com todos os povos e deixaram os seus filhos adaptar-se, bem como eles próprios, em grande medida, aos usos e costumes dos naturais, assimilando-os, criando novas experiências, etc. No Brasil dá-se precisamente o inverso, mas essencialmente o mesmo: num espaço geográfico gigantesco, maior que a Europa, estão a concentrar-se e a misturar-se todas as raças, costumes, religiões, filosofias, etc. Não é admirável?

O protótipo do Homem Universal, o Homem-Síntese, está no Português como anseio, como ideia, e no Brasileiro como concretização ou realização desse Inconsciente Colectivo, numa escala gigantesca, à medida continental. Donde, não se dever confundir a Missão Iniciática de Portugal com a do Brasil, mesmo que se completem como início e final de e uma e mesma Missão Espiritual à escala planetária…

Enquanto isso, continua a grassar grande crise de identidade no Mundo, o que é oportuna e oportunistamente aproveitada por toda a espécie de messianismos, seitas, animismos, etc., a divulgarem «mensagens» da Virgem Maria, do Arcanjo Miguel, de Jesus, de pressupostos extraterrestres, etc., e até de organizações fantásticas, claramente inspiradas em novelas ficcionistas ou em cinematografia ficcional, mas com nomes pomposos pretendendo anular as Escrituras Antigas para impor escrituras novas… levando muitos a pensar, ante o caos geral e a esperança cada vez mais rara, que é já o “fim do Mundo”.

Todavia, contrariamente ao que muitos acreditam, não se trata do fim do Mundo mas da passagem de um grande Ciclo Planetário para outro, dos muitos em que é repartida a Vida Universal, e mesmo que já se tenha adentrado o novo Ciclo as influências do antigo persistirão por mais algum tempo, até que a consciência do Homem integre os novos valores. Desse modo é que se fala hoje muito – ainda que muitíssimo mais de forma inteligível e fantástica, dando forma ao absurdo – da Idade do Aquário, a Nova Era, etc.

Realmente sucede que muita gente, desejando fortemente a mudança para algo que pressente instintivamente mas que não consegue compreender mentalmente, deixa a imaginação correr ao acaso, cair no fatalismo e tornar-se, não raras vezes, vítima fácil dos que pretendem explorá-la psíquica e materialmente, dos messianistas de todo o tipo, etc. O grande Teósofo espanhol Mário Roso de Luna dizia mesmo que «o messianismo é o achaque dos débeis que esperam de outros a salvação que só pode vir de si próprios».

É assim que, na mesma linha, ultimamente têm surgido grupos iniciados em «reikis siderais» (!!!) que vendem «iniciações cósmicas» (!!!) por alto preço, a pregar colisões de planetas, cometas e asteróides com a Terra, o que em princípio pode ser cientificamente possível. Certamente que sim, mas se a Matemática e, dentro dela, a Teoria das Probabilidades são exactas, poderão não o ser as premissas ou pressupostos que entram nos cálculos. Em boa verdade, hoje está-se numa civilização tecnocrática e tecnológica que vive basicamente dos estímulos físicos, e então, quando algo parece ameaçar as estruturas físicas, advém o horror pelo desconhecido, o horror à morte, à aniquilação, que são coisas que não existem verdadeiramente… O que é a morte física senão o fim de mais um ciclo da vida do Eu Imortal, que voltará a nascer vezes sem conta até completar todas as experiências necessárias à sua realização neste mundo?

Se, para além do físico, aprender-se a cuidar também da sensibilidade e da inteligência como “corpos” que são, haverá certamente mais lucidez, mais serenidade e menos angústia quanto ao futuro e, sobretudo, mais acções em todos os quadrantes para dotar os povos de condições de vida mais consentâneas com a qualidade de seres humanos.

O medo da morte nasce do desconhecimento da vida e das leis que a regem. Muito do que acontece de nefasto ao Homem é desencadeado pelo seu próprio desequilíbrio com a Natureza, ou seja, com a Vida Universal, que nele se manifesta como consciência, inteligência, etc. Se ele passar a estar em equilíbrio com o seu Deus Interior, que é dizer, consigo mesmo, está-lo-á com a Natureza. Ter que ter medo de quê, então?

Por inexistir esse equilíbrio vital como o único factor capaz de estabelecer a harmonia entre Homem-Natureza, é que se pretende substituir a ele o factor das profecias sobre profecias, todas fatalistas revelatórias do estado neuro-depressivo, gerando o hipocondríaco que resvala sempre para o maníaco, de quem as emite, respeitantes ao «fim do Mundo»… Mas, em boa verdade, desconheço profecias minimamente credíveis sobre o «fim do Mundo» como aniquilação pura e simples de todas as formas de vida na Terra. Desde já, adianto que a profecia é um campo muito sensível, muito sibilino e propenso a várias interpretações, para cuja correcta decifração são necessárias as chaves que presidem à sua criação.

De resto, toda a gente pode fazer profecias… ou antes, dizer-se profeta. Vamos dar crédito a todas as profecias, venham de onde vierem e em nome de quem vierem, deixando que outros conduzam a nossa vida, ou vamos utilizar a nossa inteligência, a nossa vontade própria e a nossa sensibilidade para nos conduzirmos como seres pensantes? Esta, sim, é a Filosofia de Vida apregoada por todos os Grandes Iluminados, Sábios, Génios e Avataras que o Mundo já conheceu: confiar em si mesmo em primeiro lugar, embora sensível a tudo o que está à sua volta, aprendendo com tudo e com todos, com humildade, sem preconceito.

É comum ouvir profetizar em nome dos deuses, dos mestres, etc., quaisquer que eles sejam, mas é raro, raríssimo deparar com atitudes e comportamentos de natureza divina, superior, por parte dos seus pretensos intérpretes. Ipso facto.

Donde se poderá concluir que viver-se ainda sob a influência dum período intercíclico repleto de falsos messias, profetas mancos e iniciados falsários, indo confirmar aquelas outras palavras de Jesus Cristo na Escritura: “ACAUTELAI-VOS, NO FINAL DOS TEMPOS (Ciclo) MUITOS SE DIRÃO POR MIM MAS SERÃO CONTRA MIM. SERÃO COMO LOBOS TREVESTIDOS COM PELES DE CORDEIROS NO MEIO DO REBANHO (Humanidade)”. Ainda assim, inibo-me completamente a dar nomes e a citar factos que desde logo possam identificar os seus intervenientes, pois a ninguém cabe o direito de julgar os outros ou de colar etiquetas na testa de alguém, especialmente em público, pois isso constitui um grave atentado, ou censura, à boa reputação a que todos têm direito. Então, longe de mim apontar que “A” é falso e “B” é verdadeiro. Nem poderia nunca a COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA alicerçar o seu bom nome em detrimento de todos quantos sentem, tal como nós, ser sua missão a de valorizar e dignificar a vida humana em todos os seus quadrantes.

Mas todas essas coisas são naturais numa época em que os valores estão em transformação, e em que tudo é posto em causa, sobretudo porque se verifica hoje uma divulgação maciça de todo o conhecimento, num processo em que cada um é livre de interpretar o que quiser como muito bem entender. É assim, por exemplo, que a “partícula mínima da matéria”, o quantum, vê-se em breve transformado “quantum estelar”, porque o nome soa bem e o delírio pode campear à-vontade… Parece algo caótico, e na realidade é, mas também é algo admirável, por se tratar do nascimento de uma nova mentalidade – ainda em “bruto” ou não apurada – que não está agrilhoada a dogmas de qualquer espécie.

É claro que se verificam excessos mas, na adolescência da espiritualidade, como não haver excessos? Então, as curiosidades acabam por ser estimuladas e, dado o hábito muito ocidental de querer e fazer as coisas depressa, ou de não raro obtê-las comodamente a troco de um simples pagamento, toda a gente passa a julgar que se faz um Iniciado nos Mistérios Maiores da Natureza por simples idas a “cursos pagos” ou “lendo muitos livros públicos”, sem mais e qualquer disciplina.

Querer ser mais e melhor é uma aspiração admirável mas querer ser algo supostamente superior à força, a contra-relógio, é enganar-se a si próprio e, assim, enganar todos os que seguem atrás. Mostrar sucesso aos olhos dos outros no campo espiritualista, iniciático, etc., não corresponde, de forma alguma, aos valores defendidos pelas Escolas de Iniciação genuínas, porque a transformação interna não se confunde com valores económicos, empresariais, quantitativos, etc. Enfim, a Espiritualidade não cabe nos gráficos.

Ainda assim, nestes dias conturbados por que passa o Mundo, permeio às verdadeiras Escolas de Iniciação coexistem as falsas como autênticas correntes de contra-Iniciação e contra-Tradição, mas, como dizia Jesus, “pelos frutos conhecereis a árvore”!… Por Colégios de Iniciação genuínos entendem-se todos aqueles que, ao longo da História, foram criados ou mantidos pelos Avataras e Grandes Iluminados ou Adeptos da Boa Lei, independentemente de serem ou não conhecidos da ciência historiográfica actual. De notar que essa manutenção não é eterna, ou seja, uma dada Instituição desse tipo tem uma vida sempre limitada: pode ser 50 anos, um século, dois séculos ou mesmo mais, mas o seu fim é sempre certo.

O que acontece depois é que alguns “discípulos menores”, laicos presos às rotinas do pensamento e não percebendo as mudanças operadas, vão tomando as rédeas dessas Instituições, mantêm-lhes os nomes – ou inclusivamente criam novas Associações dando-lhes os mesmos e prestigiados nomes de outras mais antigas – mas a sua actividade não é mais, absolutamente, do que “restos de Iniciação”. De maneira que esses estudiosos persistentes no Passado em detrimento do Futuro, são incapazes de iniciar os seus discípulos na Iniciação Real, mas tão-somente na chamada Iniciação Simbólica, quanto muito. Isto porque a “coisa viva” já não está lá, já passou para outro lado, e por isso são “restos”, o que não significa que não possam ser de extrema utilidade aos que começam a dar os primeiríssimos passos no Caminho da Iniciação, como alternativa às religiões de Estado, às rotinas intelectuais, etc.

Mesmo isso absolutamente nada tem a ver com livraria e mensagens, escritas ou orais, “psicografadas ou canalizadas mediunicamente” de alegados Santos do Santoral Cristão, Hindu, Budista, etc., a par de nomes como Morya, Kut-Humi, São Germano, etc., onde a Verdadeira Iniciação não tem lugar e sim a confusão caótica de se julgar o singular perfeito igual ou simpático ao plural imperfeito, como se a qualidade fosse igual à quantidade e à disparidade. Tampouco tem a ver com “curas estelares” e coisas do género arvoradas por alguns como “a missão da sua vida”, a de ajudar (isto é louvável) e de curar os outros – isto é duvidável, pois que muitos carregam doenças psicofísicas, mais ou menos notórias, o que me reporta àquelas palavras de Jesus Cristo: “MÉDICO, CURA-TE A TI MESMO!” Quer dizer, como é possível uma pessoa doente, logo portadora de um prana ou “energia vital” doentia cuja vitalidade orgânica remete para uma carência notória da mesma, poder curar a doentes sem mais nem menos? Não confere…

Como não confere o próprio nome “mensagens psíquicas”, que diz tudo. Se são psíquicas, ou se têm a ver com o Mundo Psíquico, como ver nelas a influência dos referidos Adeptos da Boa Lei? Existe uma enorme confusão entre “espiritual” e “psíquico”, começando pelos próprios espíritas e demais animistas, para os quais todas as entidades que se manifestam nas ditas sessões psíquicas são «espíritos», quando não são mais do que habitantes do “mundo dos mortos” ou Plano Astral, que é um simples prolongamento deste Plano Físico e que nada tem de Espiritual, Transcendente ou Superior. Conhecedor profundo das Leis da Natureza, nenhum Adepto Real, Mestre de Sabedoria, etc., utiliza um “médium psíquico” para se manifestar, por conhecer como poucos os efeitos nefastos da mediunidade para o próprio “médium”, tanto física como emocionalmente.

Tenho inclusivamente lido alguns trechos atribuídos ao referido tipo de “mensagens psicografadas ou canalizadas” (como actualmente é moda dizer-se) e, sem qualquer intenção de hostilizar os seus possíveis leitores eventualmente simpatizantes desses métodos, não vi neles nada de novo, nada que não tenha sido já escrito ou falado nos meios esotéricos de hoje, aparte o rol imenso de fantasias e invenções linguísticas, geográficas, astronómicas, etc. Ora os Mestres de Sabedoria não se especializam em copiar-se uns aos outros, ou em repetir indefinidamente o que ensinaram no Passado, pois se assim fosse não haveria dinâmica alguma no Conhecimento Iniciático, não existiria Evolução.

Bem sei que as mensagens «recebidas» nas clássicas sessões espíritas diferem no método e no conteúdo dessas «canalizadas», ainda que no fundo ambas vão dar no mesmo. Aqui, devo chamar a atenção para os perigos da fantasia… A mente humana possui uma riqueza extraordinária e um enorme poder de encadeamento e reprodução autónoma de imagens a partir de um simples estímulo, razão porque o nosso Mestre, o Professor Henrique José de Souza, chamava a atenção dos seus discípulos para “não tomarem a nuvem por Juno”, aconselhando reiteradamente a VIGILÂNCIA DOS SENTIDOS.

Contudo, apesar de utilizarem na sua generalidade uma linguagem algo adolescente e até ingénua em muitos casos, também é verdade que em nenhuma dessas «mensagens» li ensinamentos reprováveis ou moralmente duvidosos. Mas atribuir tais trabalhos ou alocuções a Mestres de Sabedoria parece-me até um insulto a tais Seres, os quais merecem de todos o maior respeito e que sempre ensinam aos seus discípulos a tornarem-se seres livres e emancipados através de princípios activos como “sejam iguais a Mim”, e nunca a ser cordeirinhos dóceis e passivos através de conselhos do género “esperem pela próxima mensagem”…

Leiam-se os grandes monumentos da literatura universal, como o Bhagavad-Gïta, atribuído a Ieseus Krishna, o Tao Te King, de Lao Tsé, os ensinamentos atribuídos a Jesus Cristo no Novo Testamento – apesar das múltiplas mutilações e enxertos efectuados aos textos originais –, os Diálogos de Platão e ainda os textos atribuídos a Hermes o Trimegisto, as Cartas dos Mestres de Sabedoria editadas pela Sociedade Teosófica de Adyar, os estudos sobre Maçonaria do grande Joseph Marie Ragon, o monumento literário, filosófico e científico que é toda a obra de Mário Roso de Luna, etc., etc., e compare-se a vivacidade, a originalidade, a autoridade de cada um deles com qualquer dessas «mensagens» atribuídas aos verdadeiros Mestres. Cada um, se quiser, faça a comparação por si mesmo, e certamente aperceberá não existir qualquer semelhança.

Sem dúvida que o principiante no Caminho Espiritual em sua busca está permanentemente sujeito a cair em grandes logros e erros, uns induzidos por ele próprio, e outros aduzidos por outréns. O extraordinário Teósofo, Sebastião Vieira Vidal, desde cedo discípulo do Professor Henrique José de Souza, dizia que «o (neo) espiritualismo é o ambiente onde existe o maior número de falsificações porque é o reino do improvável», não significando que não tenha probabilidades de existir ou de fazer parte da realidade mas, sim, porque não se pode dar provas imediatas da veracidade de um dado conhecimento adquirido.

Daí, ser facilmente explicável a proliferação de mestres, avataras, gurus, instrutores vindos do espaço sideral e messias que dão revelações públicas ou se escondem para não serem reconhecidos. Neste sentido, existem hoje cursos de todo o género e literatura de todos os feitios, toda a matéria possível, à venda acessível a qualquer pessoa com bom sentido de liderança, expressão fácil e cuidada e alguma cultura, para se tornar um iniciado, um guru, um mestre aos olhos do povo geralmente desconhecedor de todas estas matérias.

Encaixa também nisso a tão propalada vinda do Novo Avatara ou Messias (Paracleto, Maitreya, etc.), cada qual reivindicando para si a exclusividade do Advento. Mas este é um assunto muito sério…

Correndo o risco das minhas palavras serem demasiado sibilinas, ainda assim direi que para alguém reconhecer um Avatara deverá tê-lo despertado antes em si mesmo… Se for assim, não é necessário, como nas aventuras que devorávamos na nossa meninice, ter um mapa do tesouro, porque caso haja, no nosso interior, algum valor espiritual, seremos atraídos para o Tesouro, ou seja, para o Avatara, para o Messias, para o que lhe quiserem chamar desde que corresponda à medida exacta. E, normalmente, Eles, os Avataras, não publicam nenhum itinerário…

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