A Interpretação Gnóstica do Xadrez

O Jogo da Vida vulgarmente conhecido como Xadrez, é o Jogo que representa simbolicamente a Vida em si, o percurso de cada um em cujo objectivo é ascender, transmutar, como em alquimia, as energias e eliminar os nossos egos, limpando o nosso transfundo para de Seres Lunares (o que somos) ascendermos a Seres Solares (o que pretendemos ser). Porém a vida é um tabuleiro de xadrez, no qual cada um dos nossos actos é uma jogada. Se as nossas jogadas forem boas, inteligentes e oportunas o resultado será o êxito, saúde e longevidade. Se pelo contrário as nossas jogadas forem feitas de má-fé, egoístas e inoportunas, o resultado será o fracasso, a enfermidade e a morte.
  • O Tabuleiro: É o jogo da Vida e nunca sabemos quando jogamos a última partida. O Tabuleiro é um quadrado perfeito com 8 casas em cada um dos quatro lados. Representam as 8 Dimensões Cósmicas e as 8 realidade alternativas.
  • Os Quadrados Pretos e Brancos: Símbolo maçónico que representa o dualismo cósmico da terceira dimensão, representando o Yin e o Yang, a Roda do Samsara ou Roda da Vida, as forças evolutivas e involutivas que por vezes nos energizam, as casas pretas dão-nos força negra e as casas brancas, força branca, representando o positivo e negativo, o equilíbrio em tudo.
  • Os Peões. Indicam as 8 Virtudes de Kundalini e que as devemos conquistar para podermos ser aceites por Devi Kundalini. Os Peões Representam as Massas Populacionais, o Povo.
  • Rei e a Rainha. Simbolizam o Homem e a Mulher, o género masculino e feminino que trabalham para a Grande Obra Divina da Vida, porém daqui surgem relações karmicas punitivas e/ou auxiliantes.
  • Os Bispos, os Cavalos e as Torres representam as Ordens/Sociedades Secretas:
  1. Os Bispos são a Lança e a Gadanha, simbolizando desta maneira a Mãe Divina fabricante de Corpos e desintegradora de Egos. Representam as Ordens Religiosas
  2. Os Cavalos: são a força que se vai adquirindo através do trabalho com a energia sexual transmutada, simboliza também a Inteligência, a Ousadia e a Astucia. Representam as Ordens Laborais, Militares e Bélicas.
  3. As Torres são a manifestação do Corpo Astral (dos Desejos)  e o Mundo Mental (da Racionalização). Representam as Ordens Políticas do Poder.

Se analisamos numericamente a quantidade de casas num tabuleiro, encontraremos 64 casas (6+4=10), que para efeitos cabalísticos, dá-nos um total de 10, o qual representa a Lei da Recorrência, a Repetição, a Retribuição, a Roda do Samsara, as forças evolutivas.  (Lei do Dharma+Lei do Karma = 5+5=10)

A quantidade de casas brancas é 32 (3 + 2 = 5), a lei do Dharma. Em linguagem mística da luz, quando nos iniciamos, quer no Jogo quer na Vida, existem forças brancas que nos dão as boas vindas, ou seja, quando nascemos somos “peões” com energia branca que nos indica o caminho da evolução. Porém como nada na Natureza é exacto, chega o momento em que somos postos à prova e somos confrontados com o sucesso/fracasso e mediante as nossas acções receberemos em conformidade as reacções que caracterizam a Lei do Karma e Dharma e ou nos fazem cair nas garras das forças involutivas e perdemos o jogo, ou por outro lado nas forças evolutivas e ganhamos o jogo ou ainda por seu lado nenhuma delas e empatamos permanecendo no mesmo Estado Evolutivo (caracterização da Roda do Samsara). A quantidade de casas pretas é de 32 (3 + 2 = 5), a Lei do Karma, que na linguagem mística das trevas é a decadência, a disfunção e a morte.

Todavia o bem e o mal não existem. Uma coisa é boa quando nos convém e má quando, igualmente por interesse, não nos convém. Na verdade o Ser Humano é um animal de interesses. O bem e o mal são uma questão de conveniências caprichosas do Corpo Mental. O homem que inventou as fatídicas terminologias do Bem e do Mal foi um atlante chamado “Makari Kronverzyon”, distinto membro da sociedade científica “Akaldan”, situada no continente perdido. Este velho sábio jamais suspeitou do grave dano que causaria à humanidade ao inventar esta duas terminologias antagónicas/facções.

Voltando mais pormenorizadamente às peças do Jogo da Vida:

Os Peões

Quando focamos o jogo nos aspectos militares sobretudo nas cortes medievais, os peões simbolizam os soldados do Rei, a primeira linha de combate, cuja base de planos dos peão é apenas Avançar sem olhar ao Medo. São como um germe com debilidade que se cria, conhecidos vulgarmente como “carne para canhão”, que não são mais que entidades a abater para abrir caminho à vitória e prestar homenagem à causa.

Os oito peões representam as oito Virtudes de Devi-Kundalini, que são: Compreensão, Coragem, Vontade, Fidelidade, Rectidão, Conduta, Honestidade e Dignidade. Também representam o Arcano Oito do Tarot (ou seja, a Justiça).

Os movimentos dos peões são muito limitados em simbolização a todos os automatismos sociais, contratempos, manipulação e circunstancias que nos são, aparentemente, alheios e às quais as massas populacionais estão sujeitas.

As Torres

Simbolizam o estado de Alerta Percepção e Alerta Novidade, nos Grandes Mistérios davam ao Neófito o Martelo e o Cinzel para polirem as pedras que componham as Torres. As duas Torres simbolizam as colunas do Templo, a Branca e a Negra, ou melhor, a Dórica e a Jónica. Os Cimentos da torre na época medieval eram de pedra e quase todas eram feitas deste material, símbolo resplandecente da Energia Sexual.

As Torres representam as várias Ordens Políticas de Poder, cujos movimentos são totais mas apenas na horizontal e na vertical, tal e qual como a representação gráfica do espectro político vigente apenas com os dois eixos, do X e Y.

Os Cavalos

Representam o Trabalho, a Ousadia e a Astucia, valores necessários para eliminar os Medos, as Adversidades e todos os 10500 Egos correspondentes aos arquétipos humanos.

Os seus movimentos descrevem o esquadro e o compasso, símbolo importante na Maçonaria, tais movimentos são em forma de L, que no sistema de numeração romana tem o valor 50, que ao decompor-se (5+0=5) indica a Lei em Rigor, representando o Dharma, que em sânscrito significa Lei Natural. Representa igualmente as Ordens Militares.

Os Bispos

Nas cortes medievais conheciam-se com o nome de Bispos, eram os que estavam mais próximos do Rei (razão pela qual são as peças que se posicionam ao lado do Rei e da Rainha no inicio de cada Jogo de Xadrez); alegorizavam as Lanças, a Urânia-Vênus dos Gregos. Representam essencialmente as Ordens Religiosas existentes dentro e fora de todas as Religiões.

Os seus movimento são totais mas apenas nas diagonais em contraste com as linhas definidas quer na horizontal quer na vertical pelas casas quadrangulares do Tabuleiro, ilustrando que o Verbo apregoado pelas Religiões não é directo, transparente, claro nem de fácil percepção para aqueles que co-habitam no espaço limitado pelo Tabuleiro. (recordo que o Tabuleiro = Vida)

O Rei

O Rei surge em representação da figura masculina, representando igualmente a Sabedoria, a Orientação, a Estratégia, a Referência e a Liderança, o nosso Real Ser, a figura que ao cair, faz cair o império, a civilização, a vida, a guerra e o jogo. A representação masculina é a peça central do Jogo da Vida.

Todo o jogo do Xadrez consiste em colocar o Rei numa situação tal que não se possa mover e então é quando se lhe dá a Morte, o Xeque-Mate. É sabido que só termina uma partida de xadrez quando o Rei Morre.

O Rei apenas se movimenta uma casa mas em todas as direcções, horizontais, verticais e diagonais, em clara demonstração da impotência e total dependência que os Líderes têm para com as restantes peças, nomeadamente, para com as Ordens e Sociedades Secretas representadas pelas Torres, Cavalos e Bispos, e ainda, embora em muito menor escala, com a Rainha (Mulher) e os Peões (Povo).

Caso, o Rei, ainda não tenha sido movimentado no jogo, é-lhe permitido realizar um movimento especial denominado “Roque” com uma das Torres, com a qual se pode protegê-lo deslocando-o várias casas horizontalmente, caso nenhuma das casas entre o Rei e a Torre estejam sob ataque e o Rei não esteja em xeque. Esta técnica representa, claramente, a protecção do Líder por parte do Sistema que rege as Ordens Políticas (por elas criado).

A Rainha

Não poderia faltar no Tabuleiro da existência e no xadrez a figura feminina, o princípio universal da vida, da maternidade, o qual resplandece em toda a Obra, o Rei desdobrado em Mulher, o Eterno Amor gerador de Força e Vida. Sem a Rainha na partida de xadrez, sentimos-nos sem a melhor peça do Jogo, sem esta peça sentimos que estamos perdidos, tal e qual como um filho se sente sem a figura de uma Mãe.

Ao fazer-se um estudo transcendental das diferentes culturas vemos que por detrás da glória dos Grandes Homens Ilustres havia sempre uma Grande Mulher, como a Sacerdotisa de Tebas, no meio das tochas falou às multidões, como a Sacerdotisa dos Templos de Mistérios, que reinou no Egipto, como a Vestal de Delfos, sob o nome de Pitonisa, entre outras…

A Rainha, como elemento feminino, exerce o poder da atracção, provocação e inspiração no sexo oposto, tanto pode tender para o melhor como para o pior, dependendo da natureza que a define. A liberdade de movimentos da Rainha num tabuleiro de xadrez é total, em todas as direcções, o que faz da Rainha uma peça fulcral no jogo da Vida, em ilustração às fortes e infinitamente “inquantificáveis” características que a definem, sensibilidade, fonte de Amor, emotividade, inconstância, garra e expansividade. A Rainha surge ao lado do Rei como a sua companheira, guardiã e factor de equilíbrio, sem Ela o Rei perde todo o seu discernimento e sente-se solitário nas lides com as Ordens Secretas de quem depende e com os adversários que tanto teme.

Conclusão

Na Vida e no Mundo existem uma enorme quantidade de pessoas a quem se lhe proporcionou elementos para triunfar na vida, porém carecem de hábitos e da capacidade para raciocinar logicamente. Na verdade todos os seres humanos são exemplo disso, com sentidos atrofiados que desconhecem, desdenham e desvalorizam, o que faz de nós peças inconscientes no Tabuleiro da Vida, e sobre nós, arquitectem Seres Superiores que por vezes dão apoio às pedras negras e outras às brancas e que tanta influência têm no nosso quotidiano.

Através do Jogo da Vida, a gnose explica-nos, que temos de ser reais, leais, verdadeiros e inteligentes para que atinjamos a consciência necessária para a evolução individual, como também explica o funcionamento da vida e das sociedades e quais as artimanhas, tentações e adversidades que encontramos pela frente, indicando-nos o caminho e as ferramentas que necessitamos para as enfrentarmos de maneira a chegarmos com êxito ao ponto final do nosso percurso.

Todavia, o Jogo é muito explicito, muitos são aqueles que morrem e ficam a meio do caminho e poucos são aqueles que chegam ao fim e ascendem, contudo, e independentemente da facção vencedora e da derrotada, existem dois caminhos e a Ascenção por cada um dos dois é exequível. O importante não é ganhar ou perder, mas saber-se, quem se é, de que lado se está ,  sem nunca se esquecer dos equilíbrios endógenos e exógenos em tudo aquilo que se está inserido.

  1. Rita
    Dezembro 9, 2010 às 2:23

    MUITOO BOM! Tá melhor do que eu esperava **

  2. Dezembro 10, 2010 às 20:47

    Por quem os sinos dobram : Site conservador denuncia “Escândalo e imoralidade na Catedral de Goiás” – “Curta o sexo com prazer”, dizem os cartazes afixados à entrada da igreja. O pau quebra em Goiás, no Brasil http://t.co/XsHBhtz

  3. Eduardo
    Maio 24, 2011 às 18:44

    Muito legal a analogia e interpretação.

  4. Antonio Carlos B.Dias
    Outubro 11, 2011 às 2:16

    Descupe-me,mas existe uma incoerencia na sua apresentaçaõ,de um lado fala-se de jogadas boas e más,e de outro lado fala-se da inexistencia do bem ou do mal.Jogadas boas são frutos do bem e jogadas más são frutos do mal.Não quero ser grosseiro,mas qualquer pessoa sente nas pontas dos dedos o que é bem ou mal .

  1. Dezembro 9, 2010 às 20:14
  2. Dezembro 12, 2010 às 6:54

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