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O Mundo Invisível

17-04-2009
Por Gilberto Schoereder, em Sexto Sentido.

http://www.revistasextosentido.net/news/o-mundo-invisivel/

Desde o início dos tempos a humanidade sonha com mundos invisíveis, povoados por fadas, duendes e uma infinidade de seres fantásticos. Mas será que tudo isso realmente não passa de um sonho?

Algumas pessoas dizem que só acreditarão em OVNIs e seres extraterrestres no dia em que uma nave descer na Terra, de preferência no meio de uma grande cidade, presenciada pelo mundo inteiro. Existem vários casos de avistamentos de OVNIs nos quais algumas pessoas presentes no local se recusaram a observar o objeto, afirmando que ele não poderia estar ali pois não existem seres extraterrestres — um dos mais famosos ocorreu num do avião da Vasp, em 1982, cujos passageiros e tripulação presenciaram algo estranho acompanhando o vôo e um padre se recusou a olhar pela janela porque aquilo simplesmente “não poderia existir”.

Se já é tão difícil para alguns acreditar em E.T.s, o que dizer então de seres que vivem em outra dimensão e surgem em nosso planeta de tempos em tempos — seres como fadas, duendes, gnomos, elfos e tantos outros? Estamos falando de um relacionamento entre a humanidade e um mundo normalmente invisível para a maioria, que vem sendo mantido há milhares de anos praticamente sem alterações. É o famoso espaço além da imaginação e, até agora, além de quaisquer esforços da ciência para desvendar seus segredos.

Alguns estudiosos entendem que tais criaturas não devem ser confundidas com os chamados elementais, aos quais se referiu o suíço Paracelso (1493 – 1541). Ele acreditava que a natureza possuía uma parte invisível, tão real quanto a que nós vemos, habitada por criaturas às quais chamou de elementais e que estariam ligadas aos elementos terra, ar, fogo e água. Quatro categorias diferentes de seres, cada uma relacionada a um dos elementos: gnomos – terra; silfos – ar; salamandras – fogo; ondinas – água.

A classificação de Paracelso pode ser vista como a tentativa de organizar um mundo cujos relatos já existiam desde os primórdios da civilização humana. Histórias sobre gigantes na Terra existem na Bíblia e na Epopéia de Gilgamesh; seres fantásticos surgiam repentinamente na antiga Suméria, na Babilônia e na Pérsia, bem como no Egito e entre os povos da América.

Outras informações sobre essa realidade que não está ao alcance da maioria surgiram em dezenas de narrativas anteriores à Idade Média européia, onde seres dos mais variados tamanhos e características são descritos. Eles parecem surgir do nada para fazer o bem ou o mal, posteriormente recolhendo-se à dimensão de onde vieram com a mesma facilidade com que chegaram aqui. Grande parte desses relatos na forma de lendas, mitos ou encontros reais foram elaborados pelos povos do norte europeu. O Edda, por exemplo — também chamado de Edas —, é uma coleção de poemas nórdicos do século III que se refere a uma guerra entre deuses e gigantes. O primeiro livro do Edda traz um Catálogo de Anões com a genealogia dos pequenos seres que povoariam as regiões geladas ou outras dimensões, em épocas ancestrais, e foi utilizado como referência para J.R.R. Tolkien em sua obra O Senhor dos Anéis.

Várias Dimensões
É mais do que certo que as narrativas sobre fadas, duendes, gnomos e outros seres invisíveis não tenham uma única origem, tendo surgido em diferentes culturas do planeta ao longo do tempo. As descrições variam e se alteram de uma região e época para outra, mas as criaturas mantêm alguns traços em comum. Hoje em dia, as classificações desses seres são tantas que se torna quase impossível encontrar o fio da meada.

Algumas pessoas seguem o que Paracelso escreveu, outras preferem recuar no passado e falar de duendes leves, altos e elegantes que vivem em     Alfheim, ou referir-se a Svartalfheim, que segundo o escritor Poul Anderson significa terra dos duendes negros e é a morada dos anões. Muitas descrições modernas apresentam os duendes como seres de baixa estatura e com suas funções extremamente reduzidas em importância, muito distante da nobreza que um dia já possuíram. As culturas mudam e os seres também. O mesmo Poul Anderson escreveu que apenas na Idade Média e Renascença os habitantes dos mundos invisíveis, representados pelas fadas, voltaram a ganhar o status que possuíam anteriormente, tanto na importância de seu relacionamento com nosso mundo quanto na estatura física.

Uma classificação recente sobre essas criaturas veio do já falecido escritor argentino Jorge Luis Borges, no excepcional O Livro dos Seres Imaginários, no qual ele ultrapassa as fronteiras da cultura e do tempo, colocando lado a lado fadas, trolls, harpias, grifos, djins e dezenas de outros. Afinal, eles têm em comum o fato de não ser humanos e de apreciar essa condição.

Teorias
Ao lado de teorias esotéricas que afirmam a existência de um corresponde espiritual ou invisível a tudo que vemos na natureza, hoje em dia já se apresentam outras formas de entender os mundos tidos como lendários. Algumas linhas de pensamento acreditam que a existência dos elementais é ou foi real num passado distante da humanidade, e que os contos e mitos desenvolveram-se a partir desse conhecimento meio esquecido. Outras abordagens propuseram leituras mais ousadas para a história de nosso planeta, baseando-se inclusive em modernas teorias científicas.

O escritor Charles Fort, autor do famoso O Livro dos Danados, elaborou suas hipóteses pesquisando milhares de notícias sobre acontecimentos estranhos no planeta. Uma das descobertas que ele citou foram as pequenas cruzes encontradas no estado da Virgínia, EUA, no século XVIII, denominadas cruzes das fadas. Pesando entre 7 e 28 gramas, elas tinham o tamanho da cabeça de um alfinete e formatos de cruzes romanas, de Santo André e de Malta. A partir dessas notícias Fort concluiu a existência de um lugar povoado pelos seres míticos, que ele chamou de Elvera, e de outro habitado pelos gigantes, chamado de Monstrator, ainda relacionados com o nosso planeta.

Alguns conceitos mais atuais levantam a possibilidade de nosso planeta ser composto por várias camadas de realidade, ou dimensões — uma idéia que, apesar de apresentada com o embasamento científico da teoria quântica, traz semelhanças mais do que superficiais com algumas das filosofias e pensamentos antigos da humanidade.

O mundo em que vivemos é o único visível para a maioria dos seres humanos, mas pessoas com capacidades psíquicas desenvolvidas afirmam perceber e ter acesso, em ocasiões especiais, a várias dimensões e seus habitantes. Aceitando a hipótese de que tais dimensões realmente existam, que elas sejam infinitas e povoadas, seus habitantes poderiam, em determinadas circunstâncias, aparecer em nosso mundo. Ainda não é possível determinar de que forma isso ocorreria, mas certos pesquisadores indicam alguns locais no planeta como palco de tais fenômenos — o Triângulo das     Bermudas (Sexto Sentido número 5) seria um deles, a mais popular das prováveis passagens dimensionais existentes na Terra.

Sem Contato
A idéia de que a humanidade perdeu contato com a verdadeira natureza da Terra e do universo aparece em inúmeras definições sobre os mundos invisíveis. Algumas linhas de pensamento esotérico-ecológicas entendem que apenas uma convivência mais estreita com a natureza pode abrir os caminhos que o desenvolvimento tecnológico fechou, impedindo a magia de existir. A lógica reside na suposição de que nesses antigos mundos não se utilizava tecnologia, pelo menos não como a conhecemos hoje. O já citado Poul Anderson disse que, se essas raças podiam utilizar a magia, controlando mentalmente os fenômenos externos por meios ainda desconhecidos da nossa ciência, também eram capazes de alterar suas formas e viver indefinidamente. Por outro lado, a vida longa daria origem a uma sociedade mais conservadora, com a formação de uma aristocracia desinteressada pelos avanços científicos. E, possuindo os benefícios de uma magia extremamente desenvolvida, nem mesmo precisaria da nossa ciência.

Outro escritor de ficção científica bastante conhecido, o norte-americano Clifford D. Simak, teorizou em torno de uma situação semelhante. Para ele, a magia e a tecnologia são incompatíveis e, assim, quando a sociedade dos humanos, com o que ela tem de melhor e de pior, avançou e estendeu-se sobre os domínios desses outros seres, eles simplesmente recuaram para outra dimensão, escondendo-se dos perigos que anteviam em nosso desenvolvimento científico e tecnológico.

Outras teorias recentes pretendem ligar a possível existência de fadas, duendes e companhia a experiências realizadas em nosso planeta por seres extraterrestres. Esse ponto de vista une a idéia de que os extraterrestres estiveram na Terra numa época da qual não se tem mais memória — a não ser em algumas construções e mitologias espalhadas pelo planeta e não reconhecidas oficialmente pela arqueologia. Além de deixar sua marca na cultura humana, os aliens teriam elaborado algumas raças a partir de seus conhecimentos de engenharia genética, deixando-os na Terra para ver se progrediam. Como os humanos começaram a dominar as demais raças e expandir sua área de atuação, os seres construídos pelos extraterrestres tiveram que recuar. Assim, apesar de ainda continuarem a viver na Terra, encontram-se numa dimensão à qual não temos acesso, e seu interesse em nossa evolução passou a ser quase nulo.

Em Busca de Provas
Evidentemente, não existem provas científicas da existência de fadas e outros seres de mundos ou dimensões paralelas. Para algumas pessoas, a própria essência de sua natureza mágica não admitiria ser contida num ‘tubo de ensaio’, registrada, catalogada e examinada pelos microscópios de laboratórios científicos. Estudiosos da área citam casos de fenômenos parapsicológicos e espirituais como evidência da incapacidade da nossa ciência em determinar a verdadeira natureza dos fenômenos, que talvez representem o ponto mais próximo dos mundos invisíveis que possamos alcançar.

É verdade também que ficaram muito conhecidas em todo o mundo as famosas fotos das fadas de Yorkshire, obtidas pelas jovens inglesas Elsie Wright e Frances Griffiths em 1917, que chegaram a merecer a investigação do escritor Arthur Conan Doyle, o criador do personagem Sherlock Holmes. Desde então as fotos já foram consideradas falsificações grosseiras — com os cabelos das fadas penteados segundo a moda da época —, ou verdadeiras, segundo os peritos que examinaram as fotos na época e concluíram que tinha havido apenas uma exposição e que as fadas se moveram no momento da foto. Diz-se que o próprio perito da Kodak não encontrou evidências de truques.

Seja como for, o mundo invisível continua a esgueirar-se e resistir a qualquer tipo de explicação científica. Hoje em dia, a maioria dos relatos a respeito dos seres habitantes de outras dimensões vêm de pessoas que afirmam tê-los visto em circunstâncias específicas e que envolvem atitudes mentais específicas, consideradas pela ciência como insuficientes para explicar a realidade.

Mas, para os que ainda acreditam que a realidade é muito mais do que se pode ver à nossa volta, as possibilidades de contato ainda estão em aberto e são infinitas.

 

Para Saber Mais:
O Livro dos Seres Imaginários – Jorge Luis Borges (Ed. Globo)
Fadas e o Mundos dos Seres Encantados – Brian Froud e Alan Lee (Ed. Siciliano)
Fadas, Duendes e Gnomos – Gilberto Schoereder (Ed. Hemus)

Categorias:Geral
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