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Associação nasce para acabar com entraves à ciência

01-03-2011
Em Ciência Hoje.

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=47679&op=all

Organização francesa defende liberdade de investigação

G. Geréby, P. Selek, J.-F. Bayart, B. Lacroix (da esquerda para a direita) 

G. Geréby, P. Selek, J.-F. Bayart, B. Lacroix (da esquerda para a direita)

Uma nova associação nasceu em Paris. A organização visa defender o direito de liberdade na investigação. O repto foi lançado pelos «Investigadores Sem Fronteiras-Free Science» e já tem a ambição de se tornar internacional.

É co-presidida pela bióloga Georgia Barlovatz-Meimon e pelo sociólogo Alain Garrigou, foi oficialmente lançada na semana passada e tem como objectivo alertar, informar e mobilizar para os atentados à liberdade na investigação. A medida surge como consequência a pressões sofridas pelo último cientista e pelo seu colega Jean-François Bayart.


Alain Garrigou é docente em Ciência Política, na Universidade de Nanterre, e foi atacado por difamação por um conselheiro de Niclas Sarcozy, devido a comentários sobre sondagens compradas pela Élysée. Já Bayart, antigo director do Centro de Estudos de Investigação Internacional (CERI), fez queixa junto do ministério por ver repetidas entraves de promoção no seio do CNRS, durante cinco anos.

Estes dois exemplos foram suficientes para decidir criar a associação cuja vocação assenta na ambição de se transformar numa ONG do modelo dos Médicos sem Fronteiras. Haverá uma actividade de lobby, mas ainda de suporte e defesa dos cientistas, para além de, no futuro, querer financiar lugares em universidades estrangeiras ou ajudar à renovação no local.

Um dos desejos desta associação é desenvolver o seu carácter internacional e, por isso, dois dos convidados, no lançamento oficial, foram a socióloga turca Pinar Selek e o filósofo húngaro Gyorgy Gereby.

Pınar Selek foi perseguida pela justiça turca. 

Pınar Selek foi perseguida pela justiça turca.
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Pinar foi acusada, durante 13 anos, de ter cometido um atentado no seu país, mas explica que os estudos sobre os curdos é que lhe valeram a acusação e que nunca revelou o nome daqueles que entrevistou para o estudo, apesar dos dois anos de prisão e tortura sucumbidos. Contudo, nem os testemunhos em seu favor lhe permitem entrada no seu país nos dias de hoje.

O filósofo húngaro pertence a um grupo de cinco pessoas acusadas desde Janeiro pelo governo Húngaro de desviar fundos da investigação. Defende-se descrevendo uma intensa campanha de difamação contra ele e colegas. Já está marcada uma reunião de suporte à sua equipa.

Entraves à investigação

Segundo o grupo reunido, existem várias situações em que os investigadores podem ser ameaçados, mesmo em países ocidentais. Mesmo não se tratando de repressões policiais como a de Pina Selek, podem ser situações como o caso dos doutorados e pós-doutorados estrangeiros vigiados e com deslocações limitadas.

“Poderíamos sonhar inventar um estatuto internacional para a liberdade na investigação tal como o da liberdade de expressão na Comunicação Social”, referiu Claire Le Strat, politóloga da Universidade Paris Ouest-La Défense, citada por um diário francês. A iniciativa vem juntar-se ao Comité de Defesa dos Homens da Ciência da Academia Francesa.

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