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Descoberto trio de genes ligado à enxaqueca

15-06-2011
Em Ciência Hoje.

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=49612&op=all

Estudo representa um avanço na compreensão biológica desta condição clínica

Enxaqueças são mais comuns entre as mulheres

Enxaqueças são mais comuns entre as mulheres
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Foi descoberto um trio de genes relacionado com as enxaquecas, sendo que um deles está exclusivamente vinculado às mulheres, revelou um estudo publicado na revista britânica “Nature Genetics”.

Os cientistas descrevem esta condição clínica, que afecta 20 por cento da população e é três a quatro vezes mais comum entre as mulheres, como uma desordem cerebral em que os neurónios ou células cerebrais respondem de forma anormal a estímulos.

A causa exacta é desconhecida, mas acredita-se que factores hereditários tenham um papel significativo.

Para ter acesso ao componente genético, a equipa de investigadores coordenou uma análise internacional de genomas com 23 230 mulheres, das quais 5122 sofriam de enxaqueca. Os chamados estudos de associação genómica comparam diferenças entre indivíduos nos três biliões de pares dos blocos de construção molecular encontrados no código genético humano.

Neste estudo, que é o maior deste género realizado até agora,  os investigadores verificaram variações em três genes que apareceram mais frequentemente em pacientes com enxaqueca. Dois deles, conhecidos como PRDM16 e TRPM8, eram específicos de enxaquecas e contrários a outros tipos de dores de cabeça. Além disso, o TRPM8 foi vinculado a enxaquecas unicamente em mulheres. Estudos anteriores demonstraram que o mesmo tipo de gene contém o “marcador” genético de um sensor de dor, tanto em homens quanto em mulheres.

O terceiro gene suspeito, o LRP1, relaciona-se com a percepção do mundo exterior e em trajectos químicos dentro do cérebro. De acordo com Markus Schuerks, um dos investigadores envolvidos no estudo, o cérebro de uma pessoa com enxaqueca responde de forma diferente a alguns estímulos, pois as suas células nervosas “conversam” de forma diferente.

“Muitos neurotransmissores participam nesta conversa cruzada e alguns parecem ter um papel especial nas enxaquecas. O LRP1 interage com alguns destes caminhos de neurotransmissores e, portanto, pode modular as respostas nervosas que promovem ou suprimem as crises de enxaqueca”, referiu.

Segundo os investigadores, a influência destes genes não é suficientemente forte para ser imediatamente usada como uma ferramenta de diagnóstico. Contudo, este resultados são “um avanço na compreensão da biologia da enxaqueca”. As conclusões deste estudo foram replicadas em outros dois de menores dimensões, realizados na Holanda e na Alemanha.

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